A felicidade de ser avó pela primeira vez é tão intensa e maravilhosa que resolvi dividir com muita gente.
Nada melhor que um blog para isso.
Todas as impressões, emoções e notícias sobre o desenvolvimento desse ser único gerado com muito amor e esperado com mais amor ainda, vou transcrever aqui.
Sejam felizes comigo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MI FAMÍLIA ARGENTINA

Falei dia desses sobre minha família, a que formei no Brasil e a que escolhi. Aliás, falo sempre em família aqui, de uma maneira ou de outra. Claro, todo mundo tá careca de saber que eu adoro em primeiro lugar a família. E agora, para deixar minha felicidade mais completa, encontro quase todos meus queridos parentes argentinos atravez da, muito útil, internet.

Tenho parentes argentinos não só na argentina, mas espalhados por este mundão também. A maioria está na Argentina e na Grécia, mas tenho outros por Inglaterra e Espanha, só paracitar alguns.

Dá pra imaginas minha felicidade ao adicioná-los no meu facebook ou meu skype? E como faço com a desculpa de estravasar minhas emoções, lá vai uma cronica a esse respeito.

Claro que como sai pequenina da Argentina e só pratico o espanhol verbalmente, meu espanhol escrito deixa muito a desejar, mas para homenagear meus queridos parentes de lingua espanhola vou tentar escrever em espanhol.


                               MIS QUERIDOS PARIENTES ARGENTINOS


Estoy de hace mucho tiempo buscandoles a mys primos, tios y demás parientes que tengo por Argentina y otros países por el mundo afuera.

Tengo recorrido a internet com bastante afinco para esso, pero no estava siendo bien sucedida.

Ahora, para mi felicidad, esta semana fui encontrando uno a uno y adiccionando en Facebook y Skype. Algunos já me aceptaron, otros todavia no entraron o no se dieron cuenta de quien soy. Algunos ja me mandaron mensages y otros me contactaron por charlas escritas virtuales. Uno de ellos. Carlitos, ja hable por Skype.

Se dan cuenta de que maravillosa esta siendo mi semana? Estoy tan emocionada que ya pienso en un recorrido por Misiones y Corrientes el proximo año para ver a todos y recordar nuestra juventud e infancia quando me hiba de vacaciones a esos pagos.

Quando me quede enferma de artrosis y tube que dejar de trabajar hace unos seis años, me quede muy deprimida pues estava acostumbrada a una vida muy workaolic. Luego se murió el padre de mis hijos que era, no más mi marido, pero un grán amigo y que me cuidava durante mis recorridos medicos como un padre cuida de sus hijos. Portanto me quede mas deprimida todavia.

Poco a poco me fui acostumbrando con mi nueva vida y volviendo a ser aquella mujer alegre y optimista que siempre fui. Para colmar con mi restablecimiento de salud y estado de animo, mi hijo menor,Guno, me da la gran felicidad de mi primer nieto: João Pedro.

Para desaogar tamaña felicidad empezé este blog. Pero algo me faltava...

Entonces decidi rebuscar mi pasado en forma de un libro que estoy escriviendo. Y escribiendo y recordando, la nostalgia me adentró. Empezé entonces a buscar freneticamente a, primero mis amigos de Santo Angelo y despues mis parientes argentinos.

Mis amigos de SantoAngelo já encontre y visite y volvi a Santo Angelo algunas veses. Estamos ahora en constante contacto y nos vemos a menudo. Volvi a tenerlos como mi barra de siempre.

Esta semana consegui encontrar a los parientes de Argentina y pretendo nunca más dejar de tenerlos por cerca, aún que sea por medios virtuales.

Para establecer lazos fuertes e inegotables me decidi a el proximo año un recorrido por mi pátria misionera y correntina y abrazar cada un de ellos con fuerza y cariño para que los lazos de sangre que nos unes se transformen tambien en lazos de profunda amistad perene y indisoluble.

Espero tener tambien mucha salud para hacer este programa que me resultara en mas una de  mis grandes satisfacciones de las que tube estos ultimos años.

Como decia Mercedes Sosa: Gracias a la vida que me a dado tanto!

Y como digo yo: Gracias a internet que me a traido de vuelta mis queridos amigos de  infancia y mis queridos parientes argentinos.

Que venga entonces 2012 pronto y que me aguarde Argentina misionera y correntina. Martita llegando!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

JOÃO PEDRO - curtindo muito os ultimos dois meses.

Meus primeiros dentinhos





Pra Lembrar sempre desses dias maravilhosos no meu primeiro aninho.















Olha meu olhar sapeca com papai em Itacaré (BA)

Eu e mamãe em Itacaré(BA)


Sorriso feliz na minha casinha

Nadando com papai

Aprendendo a dar ponta e mergulhar

Examinando a vovó Marta

Passeando na pracinha com os vovós Edwin e Onilda

Olhando a rua da janela da bisa Lelita

Almoçando com a tia Bebel e os primos Marcelinha e Gui em Porto Alegre
quem tava nos servindo era a tia Rose

Dando os primeiros passos

Que ventão na praia!

Provando os óculos do papai

A Lola me dando beijo


Sorriso lino da vovó

Floripa com papai

Faltam exatamente 39 dias pro meu primeiro aninho e 32 dias pra festinha com meus primos Bernardo e Filipe que vamos comemorar juntos em Porto Alegre.Oba!

sábado, 8 de outubro de 2011

HOMENAGEM - PARA UMA IRMÃ DO CORAÇÃO. 09/10/2011

Hoje uma pessoa por demais importante na minha vida está de aniversário. Ela é uma parte da minha tão numerosa família e muito, mas muito querida. É minha irmã...do coração.

Uma vez eu disse que família se escolhe. Eu escolhi a minha. Também já disse isso. Pois A Ione Nicolini primeiro foi escolhida para ser a família de outra pessoa de nossa família, mas com o tempo eu também passei a ama-la e ela passou a fazer parte da minha

Como pode-se ver,uma grande salada de frutas. Hoje essa Grande família tem os mais diversos componentes. Muitos consanguineos e muitos outros tantos por afinidade e agregação. Quem é de fora, custa a entender tamanha teia de aranha dessa que eu chamo MINHA FAMÍLIA.

Pois bem, a Ione é mãe do Ariel. O Ariel é irmão dos meus filhos. Isso poderia significar que fomos rivais. Nunca fomos. Ela e o pai dos meus filhos se conheceram e se amaram bem depois que minha relação de amor já havia virado amizade. Fomos nos identificando no decorrer da convivencia, apesar de sermos muito diferentes. Ela é jovem, eu já estou na meia idade. Ela é magra, eu sou gorda. Ela é reservada e discreta, eu sou espaçosa e chamativa. Ela é calma e ponderada, eu sou meio inconsequente e ansiosa. Mas no meio de toda essa diferença temos em comum o grande afeto uma pela outra. Afeto esse que nos faz cúmplices, defensoras e protetora de nossos filhos em conjunto.

É por essas e outras que a considero uma irmã. Faz parte do meu dia a dia, da minha vida e da minha felicidade. Ela não precisa me ligar ou falar, eu a sinto sempre. Até quando ela não atende o telefone eu sei porque. Sei quando ela esta alegre, quando esta triste, quando está brava, quando está cansada. E ela sabe também. Preciso dela tanto quanto preciso dos meus filhos e netos. Preciso do filho dela bem e feliz para estar em paz. Em fim,preciso porque a amo.

Hoje vamos comemorar mais um ano da sua existencia. A comemoração não vai ser grande e ruidosa. Vai ser como ela, intimista. Vamos sair para almoçar. Mas não importa onde, o aniversário é dela, mas eu é que estou de parabéns. Parabéns por ter em minha vida uma "irmã" desse quilate. Alguém que me entende e me quer bem e que a cada dia mais e mais é imprescindível para minha felicidade.

Obrigada Ione por mais um ano. Obrigada Ione por estar aqui. Obrigada Ione por amar meus filhos e obrigada por me deixar amar o teu.

FELIZ ANIVERSÁRIO QUERIDA IRMÃ/AMIGA.


P.S.: Tive outra grande amiga que nasceu nesta mesma data. Ela nos deixou a muitos anos. Foi tão importante para mim como é a Ione. Ela chamava-se Ivonia Maria Pagliari. E coincidencias das coincidencias, é a a mãe do meu filho do coração, o primogenito dos filhos desta família . Sim,o danado do pai casou quatro vezes. Para ela, onde quer que esteja, a minha homenagem também. Saudades Ivonia, Feliz Aniversário e que estejas em paz.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

10 MESES



Tempo é algo que quase nunca podemos realmente dimensionar, embora os números estejam aí para marca-lo em horas, dias, meses. anos, séculos...

Podemos contar o tempo com exatidão para assar um bolo, para tomar remédio, para uma tarefa, para um compromisso, para uma viagem, em fim para tudo. Porém dimensionar o tempo, não. Tempo é relativo. Tempo está sempre ligado a sentimentos. Podem ser sentimentos de ansiedade, de calma, de alegria, de tristeza, de pressa, de vagar, de qualquer coisa, mas sempre ligado a sentimentos.

Por exemplo, para assar um bolo, leva-se em média 20 a 30 minutos. Esses minutos podem parecer horas se estamos com pressa e com vontade de saborea-lo, mas podem se transformar em segundos se por descuido nos esquecemos dele no forno e ele queima. O mesmo se dá para tomar remédio. Se estamos com dor, parece interminável o tempo que leva para fazer efeito, mas é instantaneo o degluti-lo. Para uma tarefa, quando pazeirosa, não vemos o tempo passar, mas se a fazemos por obrigação, torna-se demorada e tediósa. No compromisso, aguardado e desejado, não consegue-se desgrudar os olhos do relógio, no entanto, quando ele é uma mera formalidade ou obrigação, ao executá-lo, torna-se um tormento inacabável. E viagem então? Se vamos de férias ou a lazer, a partida nunca chega, mas os dias, durante, passam num piscar de olhos. Quando nos damos conta, já estamos de volta.

São ou não são sentimentos  tudo isso? São. Então provo que tempo é relativo. Marcamos o tempo apenas por mera formalidade. Se não existissem relógios, calendários ou números, não existiria a marcação do tempo, mas a relatividade em sentí-lo, jamais deixaria de existir.

Deve ter sido, também essa, uma das considerações que  Einstein estudou quando desenvolveu a Teoria da Relatividade, então não estou sendo nada original,mas redundante.

Original mesmo, são os 10 meses de vida do João Pedro, que estão recheados de sentimentos, de tempo. Para papai Guno e mamãe Grazi, o tempo é pequeno e curto, quando JP não os deixa dormir por mais do que tres ou quatro horas.É longo, o tempo, quando ele não cura de um resfriado. Longo quando ele demora a pegar no sono. Breve o enlevo de um sorriso dele. Rápido o crescer e desenvolver dele. Porém, entre longos e curtos, breves e rápidos, mamãe e papai  estão aproveitando, curtindo e se deliciando com o tempo todo dessa criaturinha que veio para trazer muito tempo de felicidade.

Já eu, a vovó, estou longe. E por estar longe o tempo é também longo. Estou perdendo esse desenvolver, esse crescer, essas novas descobertas do dia a dia dele. Longa é a espera por um novo contato no Skype. Longa é a espera até quinta feira, quando eles virão passar uns dias conosco. Longa é a saudade que teima em viver no meu peito e breve é a vida que ainda me resta para conviver com ele. Não é melodramaticidade. É realidade. Ainda sou jovem para o fim da minha vida, estatisticamente falando, mas, no meu coração, gostaria de ficar aqui mais uns 50 anos para acompanhar tudo dele e,quem sabe, chegar a bisavó,tataravó e sentir esse sentimento redobrado.

O que me regozija, hoje, é o tempo a comemorar. São dez meses de vida desse príncipe que acalenta minha alma e faz dos meus dias um constante cuidado em querer viver mais e bem. Graças a ele tomei atitudes, antes impensadas, que resultaram em mais qualidade de vida. Graças a ele, hoje eu me amo mais e graças a ele, aquilo que era minha vida, hoje se tornou realização e felicidade plena. Graças a ele hoje eu me basto. Graças a ele, nunca mais senti solidão.

Poderia enumerar um montão de motivos para comemorar esta data, mas vou ficar por aqui e desejar apenas: FELIZ ANIVERSÁRIO DE DEZ MESES JOÃO PEDRO.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

REGISTRANDO SENTIMENTOS



Costumo dizer, no mínimo, uma vez por semana, aos meus filhos, minha nora, meu genro, minha irmã e minha mãe que os amo. A minha única filha, mulher, digo todo dia, não porque a ame mais que aos outros, mas por ser mulher entende muito bem a minha pieguice.



A todos digo através do MSN e a minha mãe, que não tem e não entende nada de computador , quanto mais de internet, o faço por telefone todos os dias (ela me liga umas duas a tres vezes por dia).



Faço isso por vários motivos. O principal é para ve-los digitar em resposta: “- Mãe, eu também te amo.



O gesto deles pode ser,na hora, mecanico, ou porque estão atarefados em seu trabalho, ou porque o corre corre da vida deles que, jovens, é muito rápida, ativa e dinamica. Mas no fundo da sua mente e do seu coração, essa simples mensagem na tela do seu computador, vai ficar registrada e, tenho a pretensão, os fará desfrutar e um dia menos estafante e mais feliz. E, no futuro, quando eu não mais estiver aqui, esse martelar constante do registro dos meus sentimentos para com eles, os faça perpetuar em dobro nos seus descendentes.



Para minha mãe, o intuito, é lembrar a ela que “estou aqui”, como sempre estive, para o que der e vier.



No final, depois das postagens, quando faço as coisas do meu dia a dia, fico com aquela cara de idiota, que só as pessoas que amam e são amadas sabem fazer.



E me regozijo por ter tantos a quem amar e tantos que também me amam.



Faço, de vez em quando, com minhas amigas também, pouco, mas faço. Gostaria de fazer mais, só não o faço porque, sem palavras, consigo também transmitir a elas todo meu amor. Mas com palavras seria bem melhor. Ainda mais pela internet, ficaria para sempre registrado. E só se deve registrar para sempre aquilo de que nunca se voltará atrás. Mas assim está de bom tamanho, tenho medo se ao faze-lo, como são tantas, poderia esquecer alguma. E isso seria imperdoável.



Parece piegas, e é. Porém espero que, quem ler esta pieguice, se aventure a fazer o mesmo e diga, a quem de direito, o que sente. Não vai fazer bem só a quem ouve, mas vai fazer muito melhor a quem o diz. Podem apostar. Experiencia própria.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

MEMÓRIAS




    • Memórias de um tempo não tão distante

    Quando eu era pequena, há menos de meio século atrás, o chão era o melhor lugar para o lixo, fumava-se em qualquer ambiente, inclusive hospitais, aviões e o quarto das crianças. Negros e brancos vivam em mundos distintos, gays habitavam o armário e as mulheres, quando tomavam algumas liberdades eram chamadas de prostitutas. Caçador era herói, tinha-se armas em casa, poluição era decorrência natural do progresso. Sexo antes do casamento até acontecia, mas a união estável era destino certo. Não lembro de muitas mulheres sozinhas, fora as viúvas. Ecologia era um delírio de poucas vozes excêntricas.

    Na minha adolescência, anos 70, apesar das conquistas da revolução de costumes, não lembro de gays assumidos no colégio. Apesar de ter estudado sempre escolas públicas, raramente tive colegas negros. Na faculdade tudo melhorou um pouco, mas ainda estávamos longe das liberdades e da tolerância com as diferenças que hoje começam a ser consideradas itens não opcionais. Lembro quando comentavam que alguém era tão idoso “que viveu no tempo da escravidão”. Pois é, começo a me sentir tão idosa que venho do tempo da discriminação desavergonhada, de uma cultura de depredadores do planeta.

    Tudo isso ficou muito claro ao assistir ao seriado Mad Men, no qual ando viciada. O que me mesmeriza na série vai além da dramaturgia e elenco, é a reconstituição histórica, retrato cruel da época em que cresci, essa que descrevo acima. A história centra-se no cotidiano de uma agência de publicidade em Nova York nos anos de ascensão de Kennedy, da guerra fria. Na vida das personagens, os homens mais velhos traziam memórias da II Guerra e da Coreia (Vietnã estava a caminho), a prosperidade não escondia a barbárie e as mulheres viviam a realidade descrita por Betty Friedan em A Mística Feminina. Apesar da psicologia e a psicanálise já terem alguma popularidade, as crianças nunca eram escutadas.

    O “Dever da Memória” costuma estar associado a heróis e vítimas de tempos difíceis. Inclui desde os necessários tributos aos que souberam se posicionar com coragem, até o julgamento dos que foram indignos, criminosos. Mas os tempos duros não se restringem a guerras, ditaduras e extermínio. A vida privada também deve ser lembrada, pois na intimidade igualmente se produzem injustiças, discriminações e infortúnios e nesse sentido o passado quase sempre nos condena. É bom lembrar das conquistas, mas também do que não nos orgulha, e contar tudo isso aos mais jovens é uma tarefa que nunca deverá ter fim.



    TEXTO DE DIANA CORSO
    COPIADO DO JORNAL ZERO HORA (segundo caderno) DE 28/09/2011

DIA DO IDOSO (tardio)

Ontem foi o dia do Idoso e por não ter tido tempo de colocar uma homenagem aos idosos como deveria, até poque eu estou chegando lá. Tem também meus avós, todos já falecidos, minha mãe, vó Marcela, vó Lurdes  e todas minhas "véinhas" do meu jogo de pontinho que eu deveria homenagear. Por isso, pela falta de palavras, mais uma vez homenageio com um trechinho do meu livro que fala de minha vó Isabel.


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"Com relação a minha avó Isabel, desde que meu avo Benedicto morreu, de cirrose, ela morou com meus pais. Sempre foi uma mulher dependente que não conseguia se determinar para viver só. Quando eu, já casada e com filhos, fui morar na Walter Só Jobim ela foi junto. So´saiu de minha casa quando ficou totalmente senil e tivemos que interná-la em uma clinica para idosos. Minha mãe e seu irmão a internaram em Posadas para que ela ficasse com as pessoas que falavam seu mesmo idioma.

Nesse asilo ela até que teve uma vida relativamente boa. Divertida, pode-se dizer. Logo em seguida arrumou um pretendente. Ele estava bastante lúcido e se acarinhou pela 'abuela' Isabel. Mesmo ela senil, ele cuidava carinhosamente dela. Nos seus momentos de lucides gostava de ficar sentada ou passeando com ele de mãos dadas. Foi assim até o dia em que ele faleceu de uma parada cardíaca fulminante. Dai por diante, ela foi definhando cada vez mais até cair e quebrar o fêmur e não mais sair do hospital. Morreu numa tarde completamente alheia a tudo ao seu redor. Acreditamos que perdeu a razão de viver e foi se indo aos poucos.

Vovó era uma pessoa divertida e de tiradas surpreendentes que nos faziam rir muito, como por exemplo aquela vez em que foi a um velório em Santo Angelo e disse para nós que era uma festa. Disse brincando e nós pensando que era sério a orientamos como deveria dizer em português ao chegar na casa: - Meus parabéns! Pois ela, mesmo sabendo, mais ou menos, o que queria dizer isso, pois já tinha morado quando recém-casada no Mato Grosso, chega no velório e vai dizendo pra todo mundo: - Meus parabéns! Era um tal de risadinhas abafadas no velório que só vendo pra crer. E isso foi verdade mesmo. O Abel, genro do falecido é que contou pra nós dias depois.

Outra dela, é que adorava repetir várias vezes as palavras em português que mais gostava. As preferidas dela eram: assassino, vindouro e gafanhoto – que ela dizia “cafanhoto” -. Certo dia estavamos almoçando o costumeiro bife de picanha - na nossa casa havia picanha todo dia, mesmo quando cozinhavam galinha ou peixe. Picanha não faltava nunca. Papai gostava assim – e ela me sai com esta: - No sábado vindouro houve um assassinato por causa do “cafanhoto”. Foi um gargalhar geral. Liliana que estava com a boca cheia, se engasgou de tanto rir e tossia arroz e ovo que saiam pela boca e pelo nariz.

Por ai também, além de papai, da pra ver que eu tinha muito por quem puxar."

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Nota: livro ainda não diagramado e ainda não revisdo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma Bandeira Fincada no Morro- David Coimbra


Sou uma mulher exencialmente otimista, porém hoje, ao acordar e ler meu jornal, não pude deixar de me render e concordar, lamentando, a constatação na coluna do Davido Coimbra com esse título.

Transcrevo na íntegra para guardar,na espernça de um dia, no futuro, voltar a le-lo e reafirmar minha confiança de que sim, o Brasil é possível e tem futuro. Tudo que diz o Coimbra nele não sera mais verdade.

Tola Esperança? Ingenuidade? Não, otimismo em demasia.

Mas como é bom sonhar, não?



"Uma bandeira fincada no morro


Lembro daquela bandeira do Brasil hasteada bem alto em um morro do Rio no ano passado. Os brasileiros olhavam para aquela bandeira e se emocionavam. Ali tremulava o símbolo do Estado que retomava o território outrora ocupado pela bandidagem. O povo simples e ordeiro enfim podia andar em paz pelas favelas, livre do exército do tráfico que o oprimia diariamente.

Lembro do país em uníssono festejando as ações das forças de segurança, as cenas que deixaram o mundo perplexo: bandidos aos milhares esgueirando-se feito baratas pelos caminhos de terra dos morros, fugindo sem camisa, mas com fuzis nos ombros nus, embretando-se nos matagais, empoleirando-se em camionetes, sumindo. Houve quem proclamasse a “vitória do Bem sobre o Mal”.

Não sou mais esperto do que ninguém. No entanto, sobre esse assunto específico, tinha lá outra opinião. Uma opinião pessimista, cética, francamente desmancha-prazeres. Na época escrevi:

“Se todos aqueles milhares de bandidos forem mortos ou presos, todos eles sem exceção, se TODOS forem eliminados, nada mudará. Em seis meses, os níveis de criminalidade retornarão aos atuais patamares. Porque o fornecimento de material humano para a bandidagem não foi interrompido”.

O fornecimento de material humano não foi interrompido, como se sabe e, como se sabe, dias atrás os bandidos reagiram, travaram combate com a polícia no Morro do Alemão supostamente pacificado e mostraram que continuam fortes e ativos. Desta vez, não se fez tanto alarde. A notícia foi tratada como corriqueira. Pelo seguinte motivo: trata-se mesmo de uma notícia corriqueira.

A ação do Estado, no ano passado, foi elogiável, sim, porque cabe ao Estado a repressão. Mas a repressão incide só sobre a consequência, não sobre a causa. E a causa está, exatamente, no corriqueiro da vida, no que se repete lentamente, inexoravelmente.

O Brasil é um país de famílias desintegradas, de escolas mal geridas e de um Estado sem plano a longo prazo. Parece heroico mandar tropas morro acima para enfrentar o tráfico. Não é. É fácil. Assim como é fácil distribuir o dinheiro como doação em forma de bolsas. A República romana já fazia isso 2 mil anos atrás. O difícil é traçar projetos claros de infraestrutura; é tirar as crianças da rua para colocá-las em escolas sólidas que não sejam conduzidas pelo democratismo; é transformar o problema das drogas em caso de saúde, não de polícia.

O Brasil está sempre combatendo a febre, jamais a infecção. Nunca na história deste país, se prendeu tanto, e a criminalidade continua firme. Nunca na história deste país, o Estado distribuiu tanto dinheiro aos pobres, e a pobreza continua firme. Nunca na história deste país, se protestou tanto contra a corrupção, e a corrupção continua firme. As causas continuam lá, impávidas, mesmo que as consequências desapareçam por algum momento. Um breve momento. Tudo voltará a ser como sempre foi, no Brasil, porque, na essência, o Brasil continua o mesmo."

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SEMANA FARROUPILHA

Como estou indo comemorar o 20 de Setembro com uma churrascada na casa de minha filha, não posso me demorar aqui.

Gostaria, porém, de fazer alusão a data, muito importante para nós gaúchos. Mesmo tendo perdido esta batalha, gostamos de comemorar os feitos e a bravura do povo nessa época . Inclusive a comemoração é referente ao dia - 20 de Setembro - que foi o dia em que a batalha começou no século XVIII.

Para não cair em redundancia com os jornalistas e escritores profissionais, vou simplesmente deixar aqui um trecho do meu livro, onde provo que nossa dança tradicionalista é tão rica e formosa que faz até um cara sem aptidão nenhuma para o baile se transformar em pé de valsa.

    
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 "Papai, antes de se associar nos clubes Gaúcho , 28 de Maio e no Galerno, associou-se no CTG 20 de Setembro em Santo Angelo. Foi por causa da amizade dele com o pessoal das invernadas.             Eu comecei a frequentar, primeiro com ele e mamãe, depois somente eu e Liliana nas matines dançantes. Aprendemos a dançar todas as danças típicas e dançávamos bem. Por saber dançar bem, gostávamos muito. Na Semana Farroupilha, quando os dois CTGs da cidade montavam seus galpões nas ruas centrais, eu e Liliana esquecíamos de voltar pra casa e quase sempre apanhávamos por isso, como de costume. Mas como os vestidos de prenda eram compridos, se usava meia calça branca grossa e bombachinha por baixo do vestido, escondiam as marcas do cinto nas pernas e no dia seguinte lá estávamos nós a rodopiar nos salões de chão batido, levantando poeira. O CTG, que eramos sócios, fazia seu galpão na esquina da 3 de outubro com a Av. Brasil, a uma quadra de casa. O outro, o Legalista, fazia na esquina da Catedral Metropolitana, a várias quadras de nossa casa. Apanhávamos porque em vez de ficar na esquina de casa, às vistas de nossos pais, íamos seguindo os peões que melhor dançavam, que para nosso azar, eram os dos Legalistas.

Depois de associadas nos clubes sociais, mudamos os hábitos e passamos somente ao rock, como já fazíamos nas casas dos amigos na pré adolescencia. Só voltei a dançar musica tradicionalista depois de casada. Não porque meu marido gostasse ou soubesse dançar mas porque, um dia, matriculei ele num curso de fandango, num CTG. Não aguentava mais pagar mico com a falta de jeito dele até para dançar musica lenta. Ele aprendeu direitinho, mas permaneceu dançando tecnicamente toda a vida. Era muito duro pra dançar qualquer coisa, mas se esforçava porque aprendeu a gostar de saracotear pelo salão. Tanto fazia dança gauchesca como romantica, bolero ou rock. Virou um pé de valsa, não deixava passar quase nenhuma música. Duro, mas pé de valsa. Até que deu pra quebrar o galho."...
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obs.: livro ainda não diagramado nem revisado.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SAUDADE


Em todos os idiomas existem palavras que não possuem tradução para outras língua. Pelo menos não ao pé da letra. Aja visto o nosso termo Saudade. Dizem, muitos, que a palavra não tem tradução em nenhum mesmo, outros dizem que é lenda. Vamos ver:

Alemão:    Sehnsucht ou  heimweh ou ich vermisse dich
Ingles:       I miss you
Espanhol:  te estraño ou te hecho de menos
Italiano:     tu mi manchi

Pelo menos nos citados acima a tradução não é totalmente fiel. A maioria é a tradução de uma frase: Sinto tua falta.

 Mas saudade, no verdadeiro sentido da palavra, quer dizer muito mais. Quer dizer de uma infinidade de sentimentos que se fundem e inundam nosso coração e nossa mente. Quer dizer de alguém ou algo que fica no passado. Quer dizer de lembranças queridas e amadas. Quer dizer de sentir falta. Quer dizer nostalgia, vontade de ver e/ou sentir alguem ou coisas, tristeza misturada com alegria, mas principalmente dor. Sim, porque saudades dói. Para alguns mais, para outros menos,mas dói de qualquer maneira.

Será que nas outra linguas esse misto de sentimentos que se fundem seriam corretamente traduzidos? Creio que não.

Saudade não é uma palavra, é uma oração. Não uma frase, mas um parágrafo. Não um sentimento, mas muitos. E todas essas formas iguais e diferentes de descreve-lo, só tem uma particularidade: Dor.

Não uma dor doída e amarga, mas uma dor suave e ligeiramente masoquista. Quando a sentimos, nosso coração aperta e nosso corpo vibra. Nossa mente divaga e nossos olhos umedecem. E todo nosso ser anseia por resgatar algo que, no momento desse sentimento, nos parece tão intangível, tão inatingível, tão distante mas tão docemente doído e cheio de esperança.

Essa miscelanea de sentimentos tem me acompanhado durante este ano todo. Acredito que vá me companharpor toda a vida. E não vai adiantar eu me mudar para Florianopolis, onde estão as causas desse sentimento, porque aqui ficarão outras que me farão sentir a mesma coisa lá.

O que tenho, e todos que tem saudade devem ter, é  que seguir em fente com a vidinha e aninhar no  peito com carinho esse sentimento que veio para ficar.

Ainda bem que ele é aplacado, de tempos em tempos, que é quando  renovo minhas forças para voltar a sentí-lo novmente.

Além dessa saudade mais recente, tenho outras. Umas muito mais antigas, outras menos, mas todas doídas. Boas, mas doídas.

Então, em portugues, em espanhol, em italiano ou alemão, pode não existir a tradução literal para saudade, mas em todos os idiomas e em todos os povos, se tem um sentimento universal que engloba muitos e é igual para todos, esse é Saudade.

Não existe nenhuma palavra ou sentimento que seja tão único, simples e complexo tão abarcante do que esse. Amor, ódio, carinho, amizade, inveja, mentira, alegria, tristeza e muitos mais, são sentimentos de fácil tradução e que querem dizer exatamente isso que sua palavra diz. Porém Saudade é aquele que engloba quase todos e é por isso que dói. Preciasamos ter força para carregar tantos sentimentos juntos dentro do peito. Uma só palavra, infinitas definições.

E aja coração!